quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Metacognição



Metacognição é o pensar sobre o conhecimento, ou o conhecimento do conhecimento. Mas como se da esse pensar sobre o conhecimento?

No ramo da educação isso acontece quando o professor juntamente com o aluno durante o processo de ensino/aprendizagem desenvolvem maneiras de apropriar do conhecimento disponível e criar a partir dele uma perspectiva critica e questionado mediante o que nos é passado. Ou seja, temos hoje uma enorme quantidade de informação fornecida pela mídia, internet e diversos meios de comunicação, dessa forma cabe ao professor desenvolver junto com o aluno a capacidade de pensar sobre essas informações aproveitando-se delas afim de criar um conhecimento critico e de certa forma único.

A metacognição é um conceito de extrema importância que se aplicado e desenvolvido em sala de aula pode ajudar na conquista das várias metas propostas pelas PCN's. Se tratando de história, instigar esse pensar sobre o conhecimento nos alunos vai fazer desses uma espécie de espectadores do seu próprio papel na sociedade, fazendo com que estes identifiquem o que estes podem fazer para transforma-lá e no que ele errou na tentativa de altera-lá. Dentro do processo de ensino/aprendizagem essa competência pode auxiliar na descoberta da melhor maneira de se estudar e apropriar-se do conteúdo das disciplinas.

Como estudar?

Feira de Santana, 21 de outubro de 2009, 22:07 mim



Querido Diário,

Faz algum tempo que não lhe escrevo, são tantas descobertas nessa minha caminhada docente que quase me esqueci de ti. Pois bem continuo lecionando no Colégio Avanço na minha querida turma de 8ª série (9 ano), e essa semana percebi que meus alunos possuíam uma certa dificuldade na compreensão dos conteúdos expostos: segundo eles era difícil estudar em casa, alguns não tinham um local sossegado para estudar, outros não desenvolveram o hábito de estudar em casa, enfim fiquei me questionando como poderia ajudá-los. E foi então que me lembrei que eu também já tive essa dificuldade, até descobri a minha melhor maneira de estudar.

Lembro-me quando era 2º ano do ensino médio e que achava Química o maior "bicho papão", até que um professor chamado Adriano, apelidado de Didico do arrocha, nos ensinou o assunto da tabela periódica com uma paródia do arrocha "Guitarra maluca" e tudo ficou mais fácil, porém com história não funcionou tentar fazer música e percebi que a minha melhor forma de aprender era através dos fichamentos dos textos.

Pensei em como essa minha experiência poderia ajudá-los, e então resolvi fazer cada explanação de um assunto de uma forma, por exemplo: o império romano eu explanei através de um mapa conceitual, enquanto que o iluminismo eu trabalhei com palavras-chaves e a revolução francesa eu sugeri que eles não anotassem nada e depois cada um escrevesse um texto com as suas próprias impressões do conteúdo ( pude observar que nessa atividades alguns copiaram artigos da internet e me entregaram). Como tinha dito a eles que essas poderiam ser novas maneiras deles estudarem em casa e de absorverem melhor o conteúdo, muitos deles melhoram de rendimento na aula, o Lucas me contou que como tem dificuldade de estudar em casa devido ao barulho de um bar que fica próximo, resolveu estudar na casa de uma colega da turma, a Lorena, que mora na rua de trás e que ambos estão pensando em montar um grupo de estudos.

Contudo ainda existem alguns alunos que não se descobriram, no que diz respeito ao estudo. Estou pensando em conseguir algum texto do assunto para disponibilizar para estes alunos.

Enfim acho que não há mais o que declarar por agora.





Boa noite



Marina Stanchi



Ps¹: texto ficticio.

sábado, 10 de outubro de 2009

Meu modelo de professor em formação ...

Feira de Santana, 10 de outubro de 2009, 00:59 mim


Querido Diário,


Ontem foi o meu primeiro dia de aula, propriamente dito, como professora de história da turma da 8ª série (9 ano) no Colégio Avanço. Confesso que de muito me ajudou as aulas de educação na universidade, pois sem aquela teoria adquirida não teria conseguido superar o primeiro dos milhares de obstáculos que estão por vir.

Cheguei na sala de aula me apresentei e pedi para que eles se apresentassem, fizemos uma dinanâmica baseada no jogo da verdade e consequência afim de saber o que eles pensavam sobre os demais colegas, sobre a escola e sobre História, quem não queria responder a pergunta "pagava um mico": o mais engraçado de todos foi o Lucas o qual teve que declamar a carta de Pero Vaz contida no livro didático como se fosse uma declaração. Logo depois passei o curta-metragem "Ilha das Flores" da Petrobrás e os questionei o que eles achavam que o filme tinha haver com a nossa disciplina história. Apesar de já esperar a resposta, me incomodou um pouco os ouvir dizer que só conseguiram associar o fato de o curta mencionar que História é uma disciplina "onde se decora os fatos e os reproduz em uma prova".

Após a fala de alguns dos alunos, eu intervir calmamente:

- Vocês acham que história é uma disciplina decoreba? Que assim como o filme mostra uma prova de história de nada vai acrescentar, e que o seu final é o lixo?

Houve um silêncio na sala, os alunos se entreolharam, mas nada responderam. Então continuei:

- Pessoal ... vocês pensam que essas pessoas que aparecem nesse curta são sujeitos históricos?

Lucas logo interviu:

- Claro que não professora! Quem faz história é o Tiradentes, a Princesa Isabel o tal do Karl Marx, esse povo ai só faz catar lixo!

-Lucas, ai é que você e todos se enganam. Todos nós somos sujeitos históricos, porque todos têm o poder de intervir no cotidiano, seja ele escolar, mundial, apenas na Ilha das Flores, em qualquer lugar do mundo. Muitos pensam que História serve apenas para decorarmos as datas comemorativas e etc. , mas ela vai muito mais além. Nós fazemos e podemos mudar a História ou as nossas histórias todos os dias. E é isso que eu quero que vocês não esqueçam! Nós somos sujeitos da nossa história!

Respondi, cheia de convicção a eles.

A reação da sala foi diversa, alguns concerteza devem achar que a professora Marina é louca, e outros certamente devem estar refletindo em casa como eles podem mudar as suas histórias. Agora tenho que pensar em como dar continuidade a minha pedagogia de ensino ja que em parte consegui desmitificar alguns preconceitos deles ontem. Tenho que procurar uma forma de inserir os que não gostaram da dinâmica no conteúdo da próxima aula. Tem tanta coisa a se fazer ainda, mas agora vou deitar.



Boa noite querido diário.

Marina Stanchi





ps ¹: Qualquer semelhança de nome, hora ou data é mera conhecidência. Esse é um texto fictício.

ps ²: Você encontra o curta metragem Ilha das Flores em http://www.portacurtas.com.br/

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Que professor quero ser? (aula dia 01/10/2009)

A sala de aula ao lado talvez seja o sonho de todos os professores: alunos centrados e dispostos a aprender, o ambiente organizado, o professor tido como um referencial, entre outras características. Contudo não é essa a realidade presente na maioria das escolas, e não é essa a classe a qual os que estão sendo formados hoje nos cursos de Licenciaturas e Pedagogia irão encontrar.

Dando como exemplo uma experiência própria, ao observar aulas de história em um determinado colégio de Feira de Santana durante os meses de Julho e Agosto de 2009, constatei que a turma do 3º ano noturno não respondia tão bem a metodologia aplicada pelo professor: durante as atividades em sala de aula havia a dispersão da turma, se o professor solicitava uma pesquisa apenas dois ou três a faziam, era um entra e sai de alunos na sala de aula ,entre outras situações. É quando nós deparamos com essas situações tão adversas que devemos nos questionar que tipo de professor queremos ser, se um profissional racional-técnico ou um professor crítico-reflexivo.

Mas o que significa ser um profissional racional-técnico?
Basicamente é aquele professor que muito de nós tivemos, e que alegam não ter tempo para desenvolver novas metodologias pois o que importa realmente é o conteúdo e que este tem um determinado prazo para ser cumprido. Fazendo uma comparação é aquele profissional "industrial" , ou seja, se ele conseguiu que em uma determinada turma a aula expositiva funcionasse ele não se preocupa em diversificar e aplica essa metodologia as suas demais turmas, querendo produzir uma metodologia em série. Não obstante esse tipo de profissional vai encontrar muitas dificuldades em seu percurso como docente, pois nós professores trabalhamos com seres humanos que tem suas singularidades, seus anseios e realidades diferentes, e não com máquinas as quais as programamos e estas fazem o que queremos. Esse mesmo profissional racional-técnico, detém as teorias que são necessárias para trabalhar com as adversidades do cotidiano escolar, contudo não as aplica ou tentou aplicá-las e ao não obter sucessor abandono-as, se tornando um docente com muita teoria e pouca prática, o qual acha que por deter a teoria é o dono da verdade em sala de aula e que os alunos com o seu saber popular nada tem a acrescentar no seu conhecimento científico.

E o profissional crítico-reflexivo?
Esse é o famoso professor-pesquisador, que ao se deparar com uma turma onde a sua metodologia não funcionou vai buscar novas alternativas, e isso só é possível quando se conhece a turma - por isso que a atividade do "se conhecer" é tão importante- e quando o professor tem a capacidade de refletir sobre a sua prática. Um exemplo de professor reflexivo é a personagem da professora Erin Gruwell do filme Escritores da Liberdade, claro que não estou querendo dizer que é preciso ter outro emprego para sustentar a turma e acabar com o casamento, mas ter a capacidade de aliar a teoria à prática produzindo assim novos métodos de ensino e novos conhecimentos a partir da dificuldade. Esse professor é aquele que conquista o respeito da turma durante o processo de ensino-aprendizagem, e não o que quer impor a sua autoridade por se achar superior pelo fato de obter um diploma universitário.
Sei que na prática tudo é bem mais difícil, pois não encontramos quem estimule essa prática reflexiva dentro do ambiente de trabalho, mas se tornar tradicional e manter os alunos em sala na base do "medo" de nada vai acrescentar no desenvolvimento escolar dos alunos.