A sala de aula ao lado talvez seja o sonho de todos os professores: alunos centrados e dispostos a
aprender, o ambiente organizado, o professor tido como um
referencial, entre outras
características. Contudo não é essa a realidade presente na maioria das escolas, e não é essa a classe a qual os que estão sendo formados hoje nos cursos de
Licenciaturas e Pedagogia irão encontrar.
Dando como exemplo uma experiência própria, ao observar aulas de história em um determinado colégio de Feira de Santana durante os meses de Julho e Agosto de 2009, constatei que a turma do 3º ano noturno não respondia tão bem a metodologia aplicada pelo professor: durante as atividades em sala de aula havia a dispersão da turma, se o professor solicitava uma pesquisa apenas dois ou três a faziam, era um entra e sai de alunos na sala de aula ,entre outras situações. É quando nós deparamos com essas situações tão adversas que devemos nos questionar que tipo de professor queremos ser, se um profissional racional-técnico ou um professor crítico-reflexivo.
Mas o que significa ser um profissional racional-técnico?
Basicamente é aquele professor que muito de nós tivemos, e que alegam não ter tempo para desenvolver novas metodologias pois o que importa realmente é o conteúdo e que este tem um determinado prazo para ser cumprido. Fazendo uma comparação é aquele profissional "industrial" , ou seja, se ele conseguiu que em uma determinada turma a aula expositiva funcionasse ele não se preocupa em diversificar e aplica essa metodologia as suas demais turmas, querendo produzir uma metodologia em série. Não obstante esse tipo de profissional vai encontrar muitas dificuldades em seu percurso como docente, pois nós professores trabalhamos com seres humanos que tem suas singularidades, seus anseios e realidades diferentes, e não com máquinas as quais as programamos e estas fazem o que queremos. Esse mesmo profissional racional-técnico, detém as teorias que são necessárias para trabalhar com as adversidades do cotidiano escolar, contudo não as aplica ou tentou aplicá-las e ao não obter sucessor abandono-as, se tornando um docente com muita teoria e pouca prática, o qual acha que por deter a teoria é o dono da verdade em sala de aula e que os alunos com o seu saber popular nada tem a acrescentar no seu conhecimento científico.
E o profissional crítico-reflexivo?
Esse é o famoso professor-pesquisador, que ao se deparar com uma turma onde a sua metodologia não funcionou vai buscar novas alternativas, e isso só é possível quando se conhece a turma - por isso que a atividade do "se conhecer" é tão importante- e quando o professor tem a capacidade de refletir sobre a sua prática. Um exemplo de professor reflexivo é a personagem da professora Erin Gruwell do filme Escritores da Liberdade, claro que não estou querendo dizer que é preciso ter outro emprego para sustentar a turma e acabar com o casamento, mas ter a capacidade de aliar a teoria à prática produzindo assim novos métodos de ensino e novos conhecimentos a partir da dificuldade. Esse professor é aquele que conquista o respeito da turma durante o processo de ensino-aprendizagem, e não o que quer impor a sua autoridade por se achar superior pelo fato de obter um diploma universitário.
Sei que na prática tudo é bem mais difícil, pois não encontramos quem estimule essa prática reflexiva dentro do ambiente de trabalho, mas se tornar tradicional e manter os alunos em sala na base do "medo" de nada vai acrescentar no desenvolvimento escolar dos alunos.