domingo, 29 de novembro de 2009

Afetividade e teoria walloniana

Para Wallon (1879-1962) o ser humano é integrado por quatro fatores: o cognitivo, o social, o motor e o afetivo. Wallon estuda o esses quatro fatores e a sua presença dos diferentes estágios da vida do ser humano, desde criança até a puberdade/adolescência.

Nesse texto irei focalizar o estágio da adolescência pois será a qual provavelmente iremos trabalhar após ou durante a graduação.



A adolescência é aquele momento de questionamentos acerca de si mesmo, do que se espera do mundo. Momento em que as emoções e os sentimentos estão a flor da pele, e pedagogicamente falando é o momento em que o aluno ( se este não possui lacunas das outras fases de desenvolvimento) adquirir e desenvolver um maior nível de abstração cognitiva. Nesse momento segundo Abigail Mahoney e Laurinda Ramalho "o recurso principal de aprendizagem do ponto de vista afetivo volta a ser oposição", promover esse confrontamento de ideias, sentimentos e conceitos fará com que o alunato se interesse mais pelas aulas. Promover a cooperatividade em sala de aula também é de extrema importância nessa fase.


É preciso utilizar-se dessa afetividade mas sempre colocando limites nos alunos, pois senão ocorre uma confusão acerca da "autoridade" do professor em sala de aula. Reconhecer as diversas fases de vida, categorizadas por Wallon, é de extrema importância para melhor auxiliar os alunos durante o processo de ensino/aprendizagem pois só assim conseguiremos identificar se este possui alguma lacuna a se preenchida.

" Entre os muros da escola" ☼


Titulo original:Entre les Murs
Gênero:Drama
Duração:02 hs 08 min
Ano de lançamento:2007
Site oficial: http://www.sonyclassics.com/theclass
Estúdio:Canal+ / France 2 Cinéma / Haut et Court / Memento Films Production / Centre National de la Cinématographie
Distribuidora:Sony Pictures Classics / Imovision
Direção: Laurent Cantet
Roteiro:Laurent Cantet, François Bégaudeau e Robin Campillo, baseado em livro de François Bégaudeau
Produção:Caroline Benjo, Carole Scotta, Barbara Letellier e Simon Arnal
Fotografia:Pierre Milon, Catherine Pujol e Georgi Lazarevski
Direção de arte:
Figurino:Marie Le Garrec
Edição:Robin Campillo e Stéphanie Léger

O filme "Entre os muros da escola", literalmente se passa dentro de uma escola de periferia francesa, a qual "deve" atender a jovens de diversos segmentos étnicos-sociais, os excluídos da sociedade francesa. Sr. Marin é o professor de francês da 7ª A, e se demonstra confuso em sua atitudes como gestor da sala de aula. Muitas cenas podem comprovar isso porém a que mais me chamou atenção foi quando ela manda uma aluna ler e esta se recusa, neste momento o professor se mostra altamente tradicional e ao invés de preocupar-se com o que levará a aluna a negar uma solicitação sua,este manda a aluna pedir-lhe desculpas de maneira forçada. Logo depois em outra cena o professor valoriza o trabalho de outro aluno ao elaborar um diário com fotos. Confuso não!?


O filme mostra a dificuldade do professor em lidar com as diferenças etinicas e sociais da turma. Nesse momento o cansaço de anos de magistratura, faz com que o professor tome atitudes características de um profissional racional-técnico, e não se importa em criar novas alternativas para se "entender" com a turma.

Outro momento que é bastante instigante no filme são as reuniões dos professores, que apesar da insistência do Sr. Martin em trazer o debate pedagógico, este acaba por ser abafado por discussões ditas mais importância como a máquina de café. Claro que não podemos esquecer do ultimo conselho que encadeou toda a sequência final do filme. O desfecho de "Entre os muros da escola" deixa muitas questões a serem pensadas. Dentro ,principalmente, do ensino público a impunidade acerca do professor é alarmante, tanto na realidade quando no filme as punições são sempre sofridas pelos alunos e não pelos professores, mas será que o professor sempre está correto em suas atitudes? Será que a expulsão do aluno foi certa? Será que este não poderia ter sido "recuperado"?

Enfim são questões que provavelmente iremos encarar e deveremos estar preparados para saber agir perante essas situações. É preciso dar voz ao aluno, as vezes esse nem sempre é o errado, mas apenas mais uma vitima de um sistema educacional normatizador que visa não dar maiores oportunidades aos excluídos da sociedade.




Zona de Desenvolvimento Proximal


Conceito elaborado por Vygotsky para carcterizar a distância entre o nível de resolução de uma tarefa que uma pessoa pode alcançar atuando independentemente e o nível que pode alcançar com a ajuda de um colega mais competente ou experiente nessa tarefa, que pode ser o professor, os pais, os coleguinhas da classe, entre outros. Para Vygotsky ser humano por possuir um cérebro tem a capacidade de criação, e que através dela ele pode transformar as situações mais diversas, através de suportes os quais estão no seu próprio cotidiano. A criação não é apenas a capacidade de criar coisas novas e grandiosas, mas também a capacidade de superar-se diariamente, a exemplo do ambiente escolar.

Através de jogos, criatividade, da linguagem, da humanização e da cultura o ser humano pode desenvolver essas Zonas de Desenvolvimentos Proximais.
Cabe ao professor intervir afetivamente, afim de criar nos alunos interesse pelos conteúdos. Essa concepção de professor como mediador no processo ensino aprendizagem é bastante interessante a partir do momento que faz com que o aluno se sinta como parte do mundo, ou seja, som que ele se enxergue como transformador da realidade. Deve-se levar em conta o nível de desenvolvimento do real que a criança tem capacidade de desenvolver sozinho o que ela ja absorveu culturalmente, só assim é possível descobrir a suas dificuldades para com o conteúdo.A ZDP é um conceito muito interessante e se utilizado, pode auxiliar na solução de muitos dos diversos problemas do cotidiano escolar.
Fonte: ORNUBIA, Javier. O contrutivismo na sala de aula. São Paulo. ed. Ática, 1997.

Pro dia nascer feliz♫


O filme pro dia nascer feliz de João Jardim retrata parte do cotidiano de alunos de escolas da periferia de São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco e também de dois colégios particulares, um de São Paulo e outro do Rio de Janeiro. Além de demonstrar as discrepâncias presentes entre o ensino publico e privado, o filme mostra as dificuldades sociais as quais refletem no processo ensino aprendizagem. O filme é também é uma oportunidade para os educadores brasileiros refletirem sobre a nossa escola.

Durante o filme algumas cenas chamam bastante atenção. A garota que assassina a outra a facada dentro do colégio, o caso da garota pernambucana que escreve poemas lindamente e que não recebe o incentivo dos professores, o conselho de classe do colégio particular que não pode ser filmado, entre outras cenas. Com exceção da aula sobre o romantismo,todas as outras mostram a herança da desigualdade social brasileira que parece ecoar na realidade atual.


Podemos perceber que os educadores do filme não se preocupam em criar zonas de desenvolvimento proximal (ZDP’s) para assim intervir afetivamente na vida do alunato, pelo contrário eles reforçam a questão de um currículo escolar que procura deixar os alunos conformados com as suas realidades: quem é rico continua rico, tem uma educação pra rico e quem é pobre continua pobre e com uma educação medíocre. Não é minha intenção nesse texto contar o filme, mas reforçar que cabe aos educadores mudar essa situação em que se encontra a educação brasileira.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O Erro


Quem inventou o ditado "é errando que se aprende", quase que sem saber - ou já sabendo- estava por tornar popular uma das principais características da teoria de Equlibração Marjorante de Jean Piaget. Para Piaget o erro é o elemento fundamental para a construção do conhecimento, ou seja, se ao errar a criança for bem estimulada a superar as suas limitações ela irá adquirir a competência de refletir sobre a sua ação e desta forma descobrir novas formas para realizar a tarefa. Para Piaget é preciso que haja o erro (perturbação), pois é a partir dele que se busca um novo equilíbrio, o qual vai esta cheio de novos conceitos e assim por diante.
Como professora de história creio que será possível observar muitos desses erros e acredito que estarei apta para auxiliar meus alunos na solução desses. Por exemplo se um aluno em meio ao seminário confunde a data de um acontecimento histórico, mas demonstra ter domínio do conteúdo e de todo o contexto em que se passou o determinado fato histórico, creio que este aluno tem entendimento do conteúdo, esquematizou a sua ação na forma do seminário, enfim passou por todas as etapas da construção do conhecimento. Esse tipo de erro não é um erro construtivo, pois o aluno tinha plena noção do que fazia mas talvez devido ao nervosismo trocou a data do acontecimento, esse tipo de erro ao meu ver pode ser corrigido de maneira simples com uma intervenção no meio da fala do aluno claro que sempre ressaltando que toda a sua explanação estava correta mas que talvez por distração ele confundiu as datas, e sempre lembrá-lo que isso pode acontecer com qualquer pessoa.
Outro tipo de erro, eu como professora mando os alunos fazerem uma pesquisa sobre o significado da palavra 'revolução' e um aluno diz que " A professora eu me revoltei com meu pai hoje!" este além de provavelmente não ter feito a pesquisa, queria dar uma de esperto, em meio a esta situação muitos professores repreenderiam o aluno e o excluiria da aula, não obstante este aluno mostra que obtêm um entendimento parcial do conteúdo e que também de maneira parcial este esquematizou e assimilou o conteúdo, entretanto este tipo de erro gera conflito pois o aluno por si só, ou com uma simples correção, não conseguira de maneira eficaz solucionar o seu erro. Como educadora sugiro para este tipo de erro, que seja indicado ao aluno uma bibliografia do assunto além de durante a aula promover que este aluno interaja com o restante da turma afim de em grupo este possa ir preenchendo as lacunas do seu pensamento sobre o entendimento do conteúdo e que a partir dai, o professor seguisse com o conteúdo programático sobre revolução que fica a critério de cada um, pessoalmente eu daria na sequência o assunto Revolução Francesa.
Por fim existe o erro onde o aluno não teve o desenvolvimento suficiente das capacidades de assimilar, esquematizar, e consequentemente permanece no erro, ou seja, um aluno guiado pelo senso comum que acredita que escravidão é inerente as pessoas afro descendentes, creio que promover a interação deste aluno com os demais que já possuem uma equilibração deste conteúdo pode auxiliar ao fazer com que este passe por um processo de desequilibração e obtenha novamente equilíbrio só que desta vez com a assimilação e acomodação do conteúdo correto.
Essas são as minhas impressões acerca da teoria de Piaget, para quem quiser aprofundar-se nesse assunto indico os textos, que nos foi indicado pela professora Ivone Maia:
•LA TAILLE, Y. O erro na perspectiva piagetiana. In: AQUINO, Julio G. Erro eFracasso na Escola: alternativas teóricas e práticas. São Paulo: Summus, 1997.
•DAVIS, Claudia. O papel e a função do erro na avaliação escolar. Disponível na Internet.

domingo, 1 de novembro de 2009

Como Estudar ? (Parte II)

Afim de complementar a postagem anterior sobre Aprendizagem Significativa, explanarei nesse novo texto um pouco sobre a minha maneira de estudar e como esta sofreu alterações através do texto de Marco Antonio Moreira.
Particularmente gosto de estudar em silêncio e de preferência em local isolado, pois qualquer coisa tira a minha atenção até uma mosca me desconcentra. Na maioria das vezes creio que aprendo mais lendo os textos e fichando-os do que nas próprias aulas, pois qualquer burburinho consegue desviar a minha atenção da aula: sempre foi assim desde o ensino médio, a minha vantagem é que gosto de estudar em casa. Quando ingressei na UEFS tive muita dificuldade com os textos e também porque os professores exigiam que nós questionássemos o texto, o autor, enfim questionássemos tudo até a "entidade sagrada" que estivesse baixado no autor do texto na hora nós tínhamos que questionar. A partir de então reconheci que eu "não sabia ler", ou seja, eu sabia ler mas simplesmente aceitava as informações como verdades sem me perguntar, ou perguntar a informação, o que o autor dela queria passar, se ele é tendencioso, entre outras questões. Hoje posso observar que assim como no texto Aprendizagem Significativa Crítica, questionar ao invés de obter respostas prontas auxilia e muito no processo de aprendizagem.
Enfim essa é a minha maneira de como estudar, qual é a sua?

Fonte: MOREIRA, Marco A. Aprendizagem Significativa Crítica.